sábado, 10 de setembro de 2011

Como Zaqueu???

Ciro Sanches Zibordi :


Alguns internautas têm me instigado a analisar a composição “Faz um milagre em mim”. Eu vinha evitando fazer isso, a fim de não provocar a ira dos fãs do cantor que interpreta esse hit “evangélico”. Afinal, vivemos em uma época em que dar uma opinião à luz da Bíblia desperta a fúria daqueles que dizem ser servos de Deus, mas são, na verdade, fãs, fanáticos e cristãos nominais.

Resolvi, pois, atender os irmãos que desejam obter um esclarecimento quanto ao conteúdo da canção mais cantada pelo povo evangélico na atualidade, a qual começa assim: “Como Zaqueu, eu quero subir o mais alto que eu puder”.

Primeira pergunta para reflexão: Zaqueu, quando subiu na figueira, era um seguidor de Jesus, um verdadeiro adorador? Não. Ele era um chefe dos publicanos, desobediente a Deus e corrupto (Lc 19.1-10). Nesse caso, como um crente em Jesus Cristo, liberto do poder do pecado, pode ainda desejar ser como Zaqueu, antes de seu maravilhoso encontro com Jesus?

Segunda pergunta para reflexão: Por que Zaqueu subiu naquela árvore? Ele estava sedento por salvação? Queria, naquele momento, ter comunhão com Jesus? Não. A Palavra de Deus afirma: “E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando. E eis que havia ali um varão chamado Zaqueu; e era este chefe dos publicanos, e era rico. E procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura” (Lc 19.1-3). Ele não subiu na figueira porque estava desejoso de ter comunhão com Jesus, mas porque estava curioso para vê-lo.

Terceira pergunta para reflexão: O verdadeiro adorador deve agir como Zaqueu, ou como o salmista, que, ao demonstrar o seu desejo de estar na presença de Deus, afirmou: “Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?” (Sl 42.1,2)? Será que o pecador e enganador Zaqueu tinha a mesma sede do salmista? Por que um verdadeiro adorador desejaria ser como Zaqueu?

Mas o hit “evangélico” continua: “Só pra te ver, olhar para ti e chamar sua atenção para mim”. Outra pergunta para reflexão:Será que precisamos subir o mais alto que pudermos para chamar a atenção do Senhor? Zaqueu, segundo a Bíblia, subiu na figueira por curiosidade. Mas Jesus, olhando para cima, lhe disse: “Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa” (Lc 19.5). Observe que não foi Zaqueu quem chamou a atenção de Jesus. Foi o Senhor quemolhou para cima e viu aquele pecador perdido e atentou para ele (cf. Mt 9.36).

A atitude de Zaqueu que nos serve de exemplo não foi o subir, e sim o descer, para atender o chamamento de Jesus: “E, apressando-se, desceu, e recebeu-o gostoso” (Lc 19.6). Por conseguinte, pergunto: O adorador, salvo, transformado, precisa subir para chamar a atenção de Jesus? Não. Na verdade, o Senhor está com o contrito e abatido de espírito (Is 57.15). Espiritualmente falando, Ele atenta para quem desce, e não para quem sobe (Sl 138.6; Lc 3.30).

Mais uma pergunta para reflexão: Se a atitude que realmente recebe destaque, na história de Zaqueu, foi a sua descida, por que a canção enfatiza a sua subida? O mais lógico não seria cantar “Como Zaqueu, eu quero descer”? Reflitamos. Afinal, como diz uma frase que circula na grande rede, o Senhor Jesus morreu para tirar os nossos pecados, e não a nossa inteligência.

A composição não é de todo condenável, pois o adorador que se preza deve mesmo cantar: “Eu preciso de ti, Senhor. Eu preciso de ti, ó Pai. Sou pequeno demais, me dá a tua paz”. Mas, a frase seguinte provoca outra pergunta para reflexão: “Largo tudo pra te seguir”. Estamos mesmo dispostos a largar tudo para seguirmos ao Senhor? E mais: É preciso mesmo largar tudo para segui-lo?

O que o Senhor Jesus nos ensina, em sua Palavra? Em Mateus 16.24, Ele disse: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me”. Renunciar não é, necessariamente, abandonar, largar, mas pôr em segundo plano. A própria família pode ser um obstáculo para um adorador. Deve ele, nesse caso, largá-la, abandoná-la? Claro que não! Renúncia equivale a priorizar uma coisa em detrimento de outra.

Não precisamos largar a família, o emprego, etc. para seguir o Senhor! Mas precisamos considerar essas coisas secundárias ante a relevância de priorizar a comunhão com Jesus (Mt 10.27). Nesta última passagem vemos que o adorador deve amar prioritariamente o Senhor Jesus, mas sem abandonar tudo para segui-lo! Não confundamos renúncia com abandono. O que devemos largar para seguir a Jesus é a vida de pecado, e não tudo.

A canção continua: “Entra na minha casa. Entra na minha vida”. O compositor se refere a Zaqueu, mas não foi este quem convidou o Senhor para entrar em sua casa. Na verdade, foi Jesus quem lhe disse: “Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa” (Lc 19.5). Nota-se, pois, que esta parte da canção não é essencialmente cristocêntrica, e sim antropocêntrica. Mais uma pergunta para reflexão: O hit em apreço prioriza a obra que Jesus faz na vida do pecador, ou dá mais atenção ao que o homem, o ser humano, faz para conseguir o que deseja? A cançãoenfatiza a Ajuda do Alto, ou a autoajuda?

Outra pergunta: Um verdadeiro adorador, um servo de Deus, alguém que louva a Jesus de verdade, que canta louvores ao seu nome, não é ainda uma habitação do Senhor? Por que pedir a Ele que entre em nossa casa e em nossa vida, se já somos moradas de Deus (Jo 14.23; 1 Co 6.19,20)?

A parte mais contestada da composição em apreço sinceramente não me incomoda muito: “Mexe com minha estrutura. Sara todas as feridas”. Que estrutura seria essa? No Salmo 103.14 está escrito: “... ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó”. Deus, é claro, conhece-nos profundamente. Ele conhece a totalidade do ser humano: espírito, alma e corpo (1 Ts 5.23; Hb 4.12). Creio que o compositor tomou como base o que aconteceu com Zaqueu. O seu encontro com o Senhor mudou a sua vida por completo, “mexeu com a sua estrutura” (Lc 19.7-10). Deus faz isso na vida do pecador, no momento da conversão, e continua a transformar os salvos, a cada dia (2 Co 3.18).

Quanto a sarar feridas, o Senhor Jesus de fato nos cura interiormente. Mas não pense que estou aqui defendendo a falsa cura interior, associada a regressão psicológica, maldição hereditária, etc. Não! O Senhor Jesus, mediante a Palavra de Deus e a ação do Espírito Santo, cura os quebrantados do coração, dando-lhes uma nova vida (Lc 4.18; 2 Co 5.17).

Diz ainda a canção: “Me ensina a ter santidade. Quero amar somente a ti. Porque o Senhor é o meu bem maior”. Sendo honesto e retendo o que é bom na composição (1 Ts 5.21), Deus, a cada dia, nos ensina a ser santos, em sua Palavra (Hb 12.14; 1 Pe 1.15-25). Além disso, Ele é, sem dúvidas, o que temos de mais precioso mesmo e, por isso, devemos amá-lo acima de todas as coisas (2 Co 4.7; Lc 10.27).

Quanto à última frase “Faz um milagre em mim”, o compositor comete o mesmo erro de português constante da campanha de publicidade da Embratel: “Faz um 21”. Na verdade, no caso da canção o correto seria: “Faze um milagre em mim”. E, no caso da Embratel: “Faça um 21”. Quer saber por quê? Aí já é querer demais, não é? Investigue, pesquise, caro internauta, principalmente se você é um editor de blog. Conhecer o vernáculo é uma necessidade de quem lida com textos.

Diante do exposto, que os pecadores, à semelhança de Zaqueu, desçam, humilhem-se, a fim de receberem a gloriosa salvação em Cristo (Lc 18.9-14). E quanto a nós, os salvos, os verdadeiros adoradores, em vez de subirmos o mais alto que pudermos, que também desçamos a cada dia, humilhando-nos debaixo da potente mão de Deus (1 Pe 5.6), a fim de que Ele nos ouça e nos abençoe (2 Cr 7.14,15)



Texto retirado do blog do Ciro Sanches Zibordi



E essa a análise da crítica a música feita pelo Pb Sandoval Juliano
Você leu a análise que o Pastor Ciro Sanches fez sobre a música "Como Zaqueu"? Concorda com ele? Se você ler o texto que publiquei, diretamente no blog do Pastor Ciro, e ver os mais de 50 comentários postados lá, você verá que 98% concorda com a crítica que ele fez.
Eu também fui questionado sobre esta música. Sou do tipo que não aceita certas letras, certas mensagens, certos estilos...
Inclusive eu já critiquei em minhas pregações aquela música "Até tocar o céu", especialmente naquela parte em que diz que faço parte de uma "geração que ora como Daniel, geração que busca a Deus até tocar o céu".
No entanto, quando eu critico esta expressão sensacionalista e nada verdadeira, eu não peço a ninguém que deixe de cantar a música. Mas, que passe a fazer valer em sua vida diária o que está sendo dito na linda letra cantada. Não seria bom se todos nós pudéssemos cantar de coração essa bela composição, principalmente se quem estiver solando for a Josy, cantora da nossa igreja na Ceilândia Sul. (Essa música fica mais linda quando ela canta)?
Por isso, eu acho que a crítica que o pastor Ciro fez não é boa. Ela é pretenciosa. Nela, o pastor condena o que todos nós apreciamos e, quando apreciamos uma música, é porque ela fala algo que nós realmente gostaríamos de falar. Em geral, quando uma música está totalmente errada, ela nem "pega" no meio evangélico.
Quem disse, por exemplo, que Zaqueu não deve ser aplaudido pelo que fez porque a Bíblia diz que ele subiu na árvore, "apenas" para ver quem era Jesus, ou seja, por mera curiosidade, certamente está tendo por Zaqueu o mesmo sentimento que toda aquela multidão deve ter tido naquele dia. Na alma daquele povo não havia qualquer sentimento de júbilo por Jesus ter escolhido a Zaqueu para pousar em sua casa. Imagine quantas críticas não foram elaboradas sobre ele... Eu consigo imaginar alguém dizendo que Zaqueu era "esperto"; que fez uma "jogada de mestre" e levou o  homem mais famoso de sua época para pousar em sua casa; que aquilo lhe daria prestígio ou que estivesse querendo dar uma de "santo".
Todavia, eu não vejo assim. Eu prefiro utilizar a lente que Jesus utilizou. Se Jesus parou e o chamou, e entrou em sua casa, é porque Jesus sabia do que se passava na alma daquele homem. O desejo de salvação que Zaqueu tinha era tão pulsante que fez Jesus seguir o trajeto que seguiu; que fez Jesus vê-lo, mesmo escondido entre aquela folhagem.
Portanto, quando o Pastor Ciro Sanches diz que Zaqueu estava movido apenas por curiosidade, o pastor Ciro não o analisou como um pastor deveria analisar. Ele não tentou sondar a angústia que aquele homem sentia por ser corrupto, por ser desprezado pela sociedade por causa do cargo que ocupava.
Nas estrelinhas eu consigo ouvir Jesus dizendo: "Ninguém gostaria de sentar contigo à mesa, Zaqueu, porém,  eu quero pousar em tua casa; a sociedade não estende a mão sequer para te cumprimentar, eu quero te abraçar, Zaqueu".
É verdade que "não foi Zaqueu quem procurou a Jesus. Foi Jesus quem o procurou". Mas, não nos esqueçamos que Jesus só procura àquele que expressa, de alguma forma, sede de salvação.
- Lembra-se da mulher samaritana?
Outra parte da crítica é a que diz que "nós não devemos subir e sim descer". Me digam, com sinceridade: Um alto funcionário do Governo Federal subiria em uma árvore no meio da rua para ver o papa ou o Dalai Lama passar? - Certamente não. Seria humilhante para uma pessoa "nobre" um jesto tão infantil!
Subir, como Zaqueu, pode significar, em todos os aspectos, descer... humilhar-se... fazer algo que se não fosse por Jesus, provavelmente não o faríamos de maneira alguma.
Citar o Salmo 42 como um modelo exclusivo de expressão do desejo sincero de buscar ao Senhor é ignorar as inúmeras possibilidades e recursos que nosso idioma e nossa alma tem para expressar algum sentimento.
O pastor Ciro disse: "Será que o pecador e enganador Zaqueu tinha a mesma sede do salmista? Por que um verdadeiro adorador desejaria ser como Zaqueu"?
 
Meu Deus!? E o publicano que não ousou subir nos degraus do templo, mas, lá embaixo batia no peito e dizia: "Tem misericórdia de mim, miserável pecador". Não era um "pecador e enganador" como Zaqueu? - Ou, quem sabe não havia sido o próprio Zaqueu a quem Jesus agora visitava em resposta àquela oração!?
Eu serei muito extenso se analisar cada frase desta composição. Deixa-me encerrar fazendo um breve comentário sobre a expressão: "mexe com minha estrutura" que foi a mais criticada até agora.
Você sabe qual é a sua estrutura? Em que sentido essa palavra estrutura se apresenta neste texto? - Será que foi no mesmo sentido em que foi dito no Salmo citado pelo Pastor Ciro, o Salmo 103 que diz: "Ele conhece nossa estrutura, lembra-se que somos pó"?
A mesma palavra pode ganhar sentidos diferentes, dependendo do contexto. - Ou não?
Você cria um estilo de vida; você estabelece projetos para si mesmo e para sua família; você se prepara para, em determinado tempo de sua vida mudar-se para tal e tal lugar; você sacrifica-se para fazer um curso superior que vai lhe abrir portas de prosperidade e status perante a sociedade; você cria suas filhas passando para elas a idéia de que elas vão se casar com alguém bem sucedido  e que vai dar a elas uma qualidade de vida que, provavelmente, as primas delas não terão(uma hipótese).
Para alcançar tudo isto, você monta uma estrutura... Você passa a agir de tal modo que até quem te conhecia antes diz que você não é mais o mesmo, que você está "metido".
De repente, você descobre que esta estrutura(estilo de vida/jeito de ser) está lhe distanciando daquilo que o Senhor Jesus havia planejado para você.
Como Zaqueu, que ao escolher ser um publicano, não imagionou o que esta decisão afetaria em seu relacionamento com o mundo.
Ou, quem sabe, a palavra "estrutura" pode referir-se  a algo que está em sua base de criação de convivência. Se, por exemplo, você é de uma família que por natureza é racista, pode ser que você o é também e muitas vezes o seu racismo genético lhe impede de ver o que há de bom em determinadas pessoas... Mais uma hipótese.
Daí, você ora e pede: "Entra na minha casa... Entra na minha vida... Mexe com minha estrutura... sara as feridas que o meu jeito de ser provocou". É como se você pedisse ao Senhor que lhe fizesse caminhar, a apartir de agora, em sintonia com seus propósitos e objetivos.
"Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o SENHOR. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel".  - Jr 18.6.
Sinceramente, Pastor Ciro Sanches, e todos aqueles que postaram um comentário condordando e aplaudindo sua análise, eu não concordo...
Eu quero, como Zaqueu, esquecer meu título ministerial, ou quem sabe, o meu jeito crítico de ser e subir na figueira; não para me projetar, não para me envaidecer(talvez eu vou até me machucar na subida ou na descida), mas para ver se, quem sabe, Jesus resolve pousar em minha casa!!! Não que Ele já não esteja em minha casa, eu tenho certeza que está. Mas, como por uma força de expressão, é como se Ele viesse pessoalmente, fisicamente(como foi à casa de Abraão). Ou como se eu dissesse que eu gostaria que Ele tratasse o meu caso de forma personalisada - como aconteceu a Zaqueu...


Retirado do site :
http://www.sandovaljuliano.com.br


Minha opinião :Eu gostaria de acrescentar um detalhe bem
relevante:
Em qual trecho da música o nome do Senhor Jesus ficou explicito?Pai pode
ser qualquer um; assim como senhor também;porque numa música com tantas linhas e palavras

, e exaustivamente repetida o nome do Senhor Jesus não foi mencionado nem uma
vez?Isto não causa estranheza?Será que a música faria tanto sucesso no mundo
profano dos pagodeiros, nas rodas de forró se o poderoso nome do Senhor Jesus fôsse o ponto vital
da música?Deixo a minha pergunta e observação.

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